sexta-feira, 9 de abril de 2010

3.2.2. Da bordadura ao informalismo

Embora a invenção da bordadura seja atribuída a Gertrude Jekyll, conhecem-se casos da sua aplicação que antecedem a sua obra (como é o caso do jardim inglês de Arley Hall, concebido em 1840). Na realidade, Gertrude Jekyll é antes a criadora de uma variante particular de bordadura – a mixed border. De acordo com Sylvia Crowe (1994), a diferença entre a bordadura de vivazes e a mixed border prende-se com o tipo de vegetação envolvida: enquanto na bordadura de vivazes são unicamente incluídas herbáceas vivazes na mixed border são empregues também pequenos arbustos e sub-arbustos. Seja como for, Gertrude Jekyll foi quem mais desenvolveu este sistema de plantação, convertendo-o num verdadeiro ideal de gosto para a concepção dos cottage-gardens (jardins de pequenas casas de campo), pelos quais tinha uma predilecção especial, encontrando-lhes “uma beleza simples e terna que procuraremos em vão nos jardins mais ambiciosos” (12) (figuras C16—C17).

As bordaduras podem ser consideradas estruturas “semi-informais”, já que se compõem de um arranjo informal de pequenas manchas de vegetação, cujo conjunto se inscreve, por sua vez, numa estrutura de carácter bastante formal, muitas vezes de contornos rectilíneos. Jean-Pierre le Dantec (1996) define as mixed borders como sendo “associações de flores diversamente coloridas, florindo de modo variado consoante as estações, reunidas em manchas ou em bandas ao longo de muros, áleas, etc” (13).

(12) Cf. Gertrude Jekyll in Baridon, Michel, Les Jardins, Éditions Robert Laffont, Paris, 1998, p.1099.
(13) Cf. Dantec, Jean-Pierre le, Jardins et Paysages, Larousse, Paris, 1996, p.345.

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